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Microsoft (MSFT34) divulga resultado acima das expectativas, mas projeção para o próximo trimestre derruba preço das ações; hora de comprar?

A receita da Microsoft no 4T24 se aproximou de US$ 70 bilhões, com alta de 12,3% ao 4T23. Confira mais dados.

Por Enzo Pacheco, CFA

30 jan 2025, 14:13 - atualizado em 30 jan 2025, 14:13

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Imagem: iStock/ Mariakray

A Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT) divulgou nesta quarta-feira (29), após o encerramento do pregão, os seus resultados do segundo trimestre do ano fiscal de 2025 (encerrado em dezembro de 2024).

Mesmo com números que vieram melhores do que o esperado pelo mercado, a projeção da companhia para o próximo trimestre desapontou parte dos investidores.

No período, a receita da Microsoft foi de US$ 69,632 bilhões, o que representa uma alta de 12,3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. 

Serviços em nuvem da Microsoft são princripais motores de rendimento

Analisando por linha de negócio, o principal vetor de crescimento continua sendo a parte Intelligent Cloud (IC), que engloba a receita com produtos e serviços de computação em nuvem, com vendas de US$ 25,544 bilhões (+18,7% vs. 2T24).

A linha Productivity and Business Processes (P&BP), que ainda é a responsável pela maior parte do faturamento por conta do Microsoft 365, teve receita de US$ 29,437 bilhões (+13,9%). Já o segmento More Personal Computing (MPC), com vendas de hardware, produtos do Xbox e receita de publicidade da ferramenta de pesquisa, se manteve estável na comparação anual (US$ 14,651 bilhões).

Por produto e serviço, o Azure e outros serviços de cloud seguem na dianteira do aumento de receita da companhia, crescendo 31% no trimestre na comparação anual, seguido pelo produtos e serviços voltados a servidores (+21%) e da receita de publicidade (+21%).

Lucro por segmento da MSFT

O lucro bruto totalizou US$ 47,833 bilhões (+12,8% vs. 2T24), o equivalente a uma margem de 68,7% (estável) no trimestre. 

Já o lucro operacional da Microsoft foi de US$ 31,653 bilhões (+17,1%), ou 45,5% de margem (+1,9 p.p.). O grande responsável pelo ganho de eficiência foi a linha MPC, com lucro de US$ 3,917 bilhões (+32,2%) e o equivalente a uma margem de 26,7% (+6,5 p.p.).

Por outro lado, a linha IC, com lucro operacional de US$ 10,851 bilhões (+13,6%), viu sua margem cair quase 2 pontos percentuais, encerrando o período nos 42,5%, por conta dos altos investimentos em infraestrutura realizados nos últimos trimestres. 

A parte de P&BP, também ainda a maior fonte de lucros da companhia, encerrou o trimestre com lucro operacional de US$ 16,885 bilhões (+16,3%), ou 57,4% de margem (+1,2 p.p.).

O lucro líquido da Microsoft no trimestre foi de US$ 24,108 bilhões, ou US$ 3,23 por ação, valor 10,2% acima do apresentado um ano atrás. 

Ao final do 2T25, a companhia contava com quase US$ 300 bilhões de obrigações comerciais em aberto, um crescimento de 34% (+36%, ex-câmbio) em relação a um ano atrás. O mix de receitas anuais dos contratos encerrou o trimestre nos 97%, 1 ponto percentual acima do reportado no mesmo período do ano anterior, com a contínua migração de clientes para a parte de cloud.

IA segue pesando no direcionamento da tech e projeção de receita desanima

Interessante observar como a demanda por poder computacional para o processamento dos modelos de IA seguem fortes. No trimestre, os contratos comerciais cresceram 67% (+75%, ex-câmbio), devido à alta utilização do Azure pela OpenAI.

Já a receita proveniente dos produtos e serviços de IA ultrapassaram a marca dos US$ 13 bilhões (receita trimestral anualizada), um crescimento de 175% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Recentemente, a companhia informou que deve investir cerca de US$ 80 bilhões no ano fiscal de 2025, para fazer frente às necessidades para colocar de pé a tecnologia de IA suficiente para oferecer produtos e serviços para seus clientes. 

No 2T25, os investimentos da companhia totalizaram US$ 15,804 bilhões, valor 62,3% maior do que um ano atrás e um montante similar ao alocado no 1T25. Considerando o valor divulgado pela empresa, devemos esperar um aumento da ordem de mais de 62% no segundo semestre do ano fiscal corrente para que a companhia atinja o seu objetivo.

Para o 3T25, a direção informou que a receita deve ficar entre US$ 67,7 bilhões e US$ 68,7 bilhões, o que representaria um aumento de aproximadamente 10% na comparação anual. Acontece que o mercado esperava algo perto dos US$ 70 bilhões.

Isso acabou pesando na ação, que se desvalorizava mais de 6% no pregão de quinta-feira (30). 

Vale a pena investir em Microsoft?

Entendo que o movimento de queda seja um pouco exagerado, abrindo uma oportunidade de investimento para aqueles que ainda não tem a ação da Microsoft.

Ainda que não estejamos falando de um ativo barato (negociando por 31,7 vezes seus lucros projetados para o ano fiscal de 2025), a qualidade única da companhia permite fazer uma aposta no papel nesse momento.

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Sobre o autor

Enzo Pacheco, CFA

Administrador pela Universidade Federal do Espírito Santo com pós-graduação em Operador de Mercado Financeiro pela FIA, Enzo Pacheco atua desde 2017 com análise de investimentos nos mercados internacionais. Hoje, é responsável pela série MoneyBets, voltada para os investidores brasileiros que querem expandir as fronteiras dos seus portfólios. Possui certificações CFA e CNPI.