Faça como o vaso japonês

Há quem gaste a vida pensando em como evitar riscos. Eu prefiro estar preparada para acidentes de percurso e, quem sabe, até tirar proveito deles. No Japão, uma peça de cerâmica passa décadas e décadas sem ser notada, até que um impacto aleatório seja a deixa para que se transforme em uma obra de arte.

Há quem gaste a vida pensando em como evitar riscos. Eu prefiro estar preparada para acidentes de percurso e, quem sabe, até tirar proveito deles. No Japão, uma peça de cerâmica passa décadas e décadas sem ser notada, até que um impacto aleatório seja a deixa para que se transforme em uma obra de arte.

Bem antes de conhecer o conceito de antifragilidade de Nassim Taleb, principal referência teórica da Empiricus, eu já era fã do Kintsugi, técnica japonesa de reparar objetos quebrados e transformá-los em peças valiosas. O neologismo não poderia ser mais adequado.

O segredo está na liga usada para unir os cacos. Os remendos são feitos a partir de uma mistura composta por laca e ouro em pó, entre outros ingredientes. O objetivo não é ocultar as emendas, mas enaltecê-las. O desenho é definido pelo acaso, fruto do impacto, o que faz com que cada peça seja única. Quanto mais cicatrizes douradas tiver, mais preciosa será. Uma espécie de exaltação à sobrevivência.

A vida real é bem menos poética do que isso. No implacável mundo dos investimentos, você já sabe que, diferentemente dos vasos japoneses, está proibido de quebrar. Tende a ser um caminho sem volta. E como sobreviver se não podemos prever as quedas durante a travessia? Assim como no Kintsugi, a chave da antifragilidade da sua carteira é dourada.

“Mas o ouro já subiu muito, está caro para entrar”, temos ouvido de alguns leitores, atentos ao noticiário que diz que o metal ronda a maior cotação dos últimos seis anos, negociado na casa de 1.500 dólares a onça-troy.

Na mesma linha, o jornal estampava outro dia: “Ouro sobe 17,9%, mas investir agora pode ser arriscado”, citando o movimento global de busca por ativos considerados mais seguros, o chamado “flight to quality”. A reserva clássica de valor tem sido protagonista em meio ao temor de uma desaceleração global e das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Não se perca nessas armadilhas, aqui não se trata de especular com a valorização do metal. O ponto é que, enquanto não pudermos vislumbrar um mundo livre de riscos — e nunca poderemos, pois ele nunca existirá —, é melhor pensar como um vaso japonês e contar com o ouro para sua sobrevivência.

O que está em jogo é ter ou não um seguro anticatástrofe para a sua carteira. Ainda não tem? Então o momento certo para comprar ouro é agora. É a tese estrutural de contar sempre com proteções para o seu portfólio. E a forma mais fácil de fazer isso é por meio de fundos cambiais e de ouro; destine algo entre 5 por cento e 10 por cento da sua carteira a eles.

Atualmente, o instrumento mais barato para se investir no metal precioso é o fundo Vitreo Ouro. A taxa de administração é de 0,14 por cento ao ano, com aplicação a partir de 1.000 reais. Para acessá-lo, é preciso ter conta na Vitreo. Ele é um fundo sem hedge, o que quer dizer que a rentabilidade é mantida em dólar. Na prática, funciona como uma dupla proteção, pois você estará investindo em ouro e na moeda forte (dólar) simultaneamente.

Outro produto com configuração semelhante é o Órama Ouro, com taxa de administração de 0,60 por cento ao ano. O fundo também tem aplicação mínima de 1.000 reais e está disponível no BTG Pactual Digital e na própria Órama.

Quer conhecer outros fundos para deixar seu portfólio ainda mais completo e diversificado? Vem por aqui.

Um abraço,
Ana Luísa Westphalen

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