O melhor amigo do seu portfólio

Rabiscos num papel, algumas ideias na cabeça e um vira-lata nos braços. Assim voltamos de uma das muitas reuniões que fazem parte da rotina aqui da nossa equipe dos Melhores Fundos de Investimento. Nesse dia, o plano original era estreitar relações com uma distribuidora de fundos. O que não estava na programação era a espera pelo Uber, na saída.

Rabiscos num papel, algumas ideias na cabeça e um vira-lata nos braços. Assim voltamos de uma das muitas reuniões que fazem parte da rotina aqui da nossa equipe dos Melhores Fundos de Investimento. Nesse dia, o plano original era estreitar relações com uma distribuidora de fundos. O que não estava na programação era a espera pelo Uber, na saída.

Seis minutos é ok. Mas o problema é que o tempo se arrasta quando você é apaixonada por cachorros e avista um vira-lata andado próximo aos carros. E ele tem o tamanho de um filhote. E vem na sua direção. E fica te olhando. Por eternos minutos.

“Vou pegar esse cachorro”, falei alto, rezando para ouvir em réplica algum argumento racional que me fizesse desistir daquela ideia. Sem resposta. Tentei novamente, mais categórica desta vez: “Bruno. Vou pegar esse cachorro.”

“Pega...”, respondeu o Bruno Mérola, que eu pouco conhecia e que acabava de assumir a série Os Melhores Fundos de Investimento. Ferrou. Agora eu tinha um cúmplice. “Segura aqui minha bolsa...” Meu plano: seguir para o veterinário mais próximo, cuidar do bicho e arrumar um lar pra ele.

Fiquei bem feliz alguns dias depois, quando o Mérola decidiu fazer um “test drive” e levou para casa o cãozinho, que ganhou um nome – Tim – e dois irmãos também vira-latas: Dom e Leon.

“Três cachorros? Só pode ser louco”, ouvia-se pelos corredores da Empiricus. Mal sabiam os críticos que meu novo colega fez uma jogada de mestre ao ampliar seu portfólio canino. Tirou proveito da descorrelação.

Explico. No mundo dos fundos de investimento, além da diversificação entre ativos, defendemos sempre que você tenha em sua carteira produtos descorrelacionados entre si. Com isso quero dizer: fundos que se movimentam em sentidos diferentes a depender do cenário. Cabeças que se complementam.

Um gestor está otimista com a Bolsa brasileira e aposta na alta das ações? Ótimo. Mas e se a desaceleração global melar nossos planos? Além de destinar uma parcela do seu portfólio a ativos de segurança (fundos cambiais e de ouro, como falei aqui), cairá muito bem um toque daquele fundo multimercado que já se posicionava para ganhar com o nevoeiro.

Você pode investir em mais de um fundo. Dois, três, até mais. Desde que eles joguem bem em conjunto. Volta e meia recebemos a pergunta: “O que aconteceu com o ‘fundo X’, que está mal?”. Em geral, ele é o “contrarian” do seu portfólio, comportamento que está no cerne das estratégias de investimento mais bem-sucedidas.

E a estratégia do nosso contrarian Bruno Mérola, que resolveu viver com três cachorros? Tem sido realmente promissora. O Tim, que você conheceu no início deste texto, é o cachorro mais bem-comportado e dócil do universo. Muito diferente do destruidor Leon. Os opostos são contrabalanceados pelo carente e estabanado Dom.

Na ponta do lápis, qual o saldo? Diz o meu colega que a diversificação tem contribuído na relação entre retorno e risco da casa. O retorno, medido pela felicidade da família, aumentou exponencialmente. Ao mesmo tempo, a nova composição tem ajudado a equilibrar o risco de bagunça e a energia dos veteranos. Leon está mais tranquilo — os móveis e sapatos agradecem — e o Dom, muito mais cuidadoso com o irmão duas vezes menor.

De qualquer forma, assim como nos investimentos, seria precipitado tirar conclusões em um prazo tão curto. Entre sofás destruídos e almofadas brutalmente assassinadas, a tendência é de longo prazo, e o Tim era o balanço que faltava nesse portfólio. Em síntese, estamos bem otimistas com o case.

Um abraço,
Ana Luísa Westphalen

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