A não linearidade da História que nunca te contaram

Na escola Educator, em São Luís, tive a oportunidade de ter aula com dois ótimos professores de História. Filho do braço direito de Getúlio Vargas no Maranhão, Getúlio Bessa tinha uma retórica e uma memória tão apuradas que dava aula apenas falando, com as mãos nas costas, literalmente.

Nas dúvidas é que moram as oportunidades

Na escola Educator, em São Luís, tive a oportunidade de ter aula com dois ótimos professores de História.

Filho do braço direito de Getúlio Vargas no Maranhão, Getúlio Bessa tinha uma retórica e uma memória tão apuradas que dava aula apenas falando, com as mãos nas costas, literalmente.

Sá Marques era o típico professor com um quadro negro ininteligível, mas que valia a pena copiar para se lembrar do que fora falado em classe e fazer anotações posteriores à aula.

Dado o modelo de ensino tradicional, a História, para mim, era dividida em capítulos que quase nunca tinham ligações uns com os outros.

A América espanhola era uma coisa, a portuguesa era outra e eventos que aconteceram de modo concomitante geralmente eram tratados como coisas separadas, sem relação entre si.

Só depois de concluir o ensino médio e aprender a história por conta própria que entendi a linha do tempo do mundo e compreendi que vários marcos aconteceram na mesma época.

O quadro “A Noite Estrelada”, de Vincent van Gogh, foi criado no mesmo ano em que a Torre Eiffel foi inaugurada, em 1889.

A primeira loja do McDonald’s foi aberta em 1940, ano em que o primeiro prisioneiro foi levado ao campo de concentração de Auschwitz.

O álbum “The Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, foi lançado no mesmo ano do escândalo de Watergate.

Esses eventos citados são apenas curiosidades e em nada alteram a nossa percepção de como é contada a história.

Por outro lado, existem linhas do tempo históricas que são afetadas por novas descobertas, como fatos que aconteceram em guerras e foram mantidos em segredo por décadas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Alan Turing liderou uma equipe que conseguiu decifrar as mensagens enviadas pela Enigma, máquina que criptografava as comunicações das forças nazistas.

O filme “O Jogo da Imitação” (2014) retrata o momento em que o segredo é desvendado e Turing toma a difícil decisão de não salvar um comboio de civis para os alemães não suspeitarem que os britânicos haviam quebrado o seu código.

No entanto, até algumas décadas atrás não se sabia desse fato e qualquer um que recontasse a história da Segunda Guerra não mencionaria o papel importantíssimo de Alan Turing.

Por consequência, acharia que apenas com o poder bélico dos Aliados (França, Inglaterra e EUA) foi possível derrotar o Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Mesmo assim, a ausência de alguns fatos, que nem sequer sabemos, nos faz crer em uma sequência de acontecimentos que nem sempre é fidedigna.

A história só parece linear quando contada, mas quando vivida é bem diferente.

Com isso em mente, preste bastante atenção no que direi nas próximas linhas.

Na segunda-feira (20), teve início o Fórum Econômico Mundial. A cada ano, o assunto criptomoedas, criptoativos e blockchain vem ganhando espaço nesse evento.

Muita coisa será discutida dentro dos resorts de esqui e nos cafés de Davos, na Suíça.

Além disso, o país é famoso por possuir um dos polos de inovações financeiras mais férteis do mundo. 

O Crypto Valley é uma referência quando o assunto é criptoeconomia, e vários empreendedores desse ecossistema estarão no fórum para mostrar como a descentralização pode ser uma grande mudança no paradigma financeiro.

No entanto, não espere que os principais acontecimentos do evento sejam narrados pela mídia.

Quase tudo de mais importante e com poder decisivo para o futuro cripto vai acontecer atrás das cortinas, fora dos holofotes; infelizmente, poucos ficarão sabendo.

Não falo isso porque tenho uma bola de cristal, mas simplesmente porque a história acontece assim.

Dificilmente você acreditaria em mim se dissesse que Warren Buffett ou alguém do seu calibre investe em cripto.

Da mesma forma, me chamaria de mentiroso se eu falasse que alguns ex-diretores do Banco Central têm exposição a criptomoedas.

Tudo isso pode parecer mentira ou impensável hoje, mas quando a história for contada daqui a algumas décadas vai incluir esses fatos como se todos soubessem.

Para quem está vivendo essa mudança de paradigma não é tão claro.

E são essas dúvidas do futuro que ainda permitem que o mercado não chegue à marca de US$ 1 trilhão, e que as criptomoedas não se consolidem como uma classe de ativos como outra qualquer.

Mas é nessas dúvidas que moram as oportunidades de ganho.

Forte abraço,

André Franco

Inscreva-se em nossa newsletter