Como você analisa os fatos?

Uma senhora de 80 anos foi atravessar a rua e foi atropelada por um motoqueiro que transitava pela via.  O motoqueiro entrou com um processo contra a idosa (que incrivelmente sobreviveu ao impacto) e ganhou uma bolada.

DESCORRELACIONADO SIGNIFICA NÃO CORRELACIONADO, ORAS!

Uma senhora de 80 anos foi atravessar a rua e foi atropelada por um motoqueiro que transitava pela via. 

O motoqueiro entrou com um processo contra a idosa (que incrivelmente sobreviveu ao impacto) e ganhou uma bolada.

Essa história pode gerar revolta em você, mas gostaria de falar de mais detalhes antes de você partir para conclusões.

A idosa atravessava fora da faixa e quando viu o motoqueiro se jogou em cima dele. Ela estava tentando se suicidar.

Quase ia me esquecendo: o motoqueiro estava embriagado e os seus pneus estavam carecas, o que dificultou a frenagem da moto.

Percebe que a cada nova informação sobre o caso a sua percepção de quem é o culpado mudou? 

No mercado também é assim, as informações podem ser incompletas e um fato novo pode mudar toda a sua percepção sobre a leitura momentânea do que está acontecendo. 

Por outro lado, o investidor que se atenta muito ao curto prazo e foca mais nas “fotos” do que no “filme” pode tomar decisões erradas que vão afetar seu patrimônio no longo prazo. 

Se no começo do ano o bitcoin se comportou como um hedge contra uma crise global e respondeu positivamente ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, nesta semana a escalada do coronavírus apontou a cripto como um ativo de risco correlacionado com o mercado tradicional. 

Vendo os fatos momentâneos, a mão e a boca coçam para cravar que estamos diante de uma classe de ativos que é correlacionada aos demais investimentos de risco, mas a narrativa está incompleta. 

Qualquer um que minimamente entende como funcionam os investimentos sabe que o tempo de análise de um ativo deve ser de anos, e não de semanas. 

Olhar um investimento por meio de uma foto não vai lhe garantir sucesso no longo prazo. 

As criptos são uma classe descorrelacionada com as demais e ponto. 

Descorrelacionado é não correlacionado, oras! 

Veja o “filme” da correlação do bitcoin com os outros ativos do mercado tradicional.

Para entender a tabela basta ter em mente que os valores variam entre -1 e 1. Lembrando que ativos com números entre 0,5 e 1 são considerados como ativos positivamente correlacionados e andam para a mesma direção, em quedas ou subidas.

Já os ativos que apresentam valores entre -0,5 e -1 indicam alta correlação negativa, ou seja, andam para lados opostos, enquanto um desce o outro sobe e vice-versa.

Outra coisa que precisa estar claro é que quanto mais próximo de 0 esse valor, mais fraca é a correlação entre os ativos.

A tabela abaixo representa a correlação diária dos ativos nos últimos 12 meses:

Fonte: Bloomberg e Empiricus

A tabela acima representa a correlação diária dos ativos nos últimos 12 meses. 

Perceba o quanto a correlação do bitcoin é baixíssima com boa parte dos índices e ativos do mercado tradicional. 

E isso porque estamos falando dos últimos 12 meses. Quanto mais aumentamos essa janela temporal, menos correlação o ativo terá. 

Quanto mais longo o “filme”, mas ele se aproxima da verdade. 

Por isso, tenha em mente qual a ideia por trás de investir na classe de ativos na composição do seu portfólio. 

E como no Brasil sempre temos as nossas jabuticabas, um fato que tem ajudado a amenizar a queda da criptomoeda por aqui é a alta do dólar. 

Nas corretoras locais, o preço do bitcoin ainda está positivo quase 30% no ano, mesmo que a realidade em dólar seja menor que 10%. 

Mas não deixe o fato de a cripto ser dolarizada criar a falsa sensação de que esse dever ser um pilar do seu investimento. 

Esse é somente um elemento favorável atualmente, mas que em outro momento pode ser desfavorável. Não se apegue a isso. 

Forte abraço,

André Franco

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