Dois trilhões de razões para você ler isto hoje

A nossa sociedade precifica aquilo que é mais raro como mais caro e, consequentemente, leva à crença popular de que aquilo tem mais valor.

Alumínio escasso e modelos não replicáveis

“Os químicos só descobriram o alumínio nos anos 1820, mas separar o metal de seu minério era extremamente difícil e custoso. Durante décadas, o alumínio era muito mais caro do que o ouro. Nos anos 1860, o imperador Napoleão III da França encomendou talheres de alumínio para seus convidados mais ilustres. Os visitantes menos importantes tinham de se virar com facas e garfos de ouro. Mas no fim do século XIX, os químicos descobriram uma maneira de extrair enormes quantidades de alumínio barato, e hoje a produção global fica em torno de 30 milhões de toneladas por ano. Napoleão III ficaria surpreso de saber que os descendentes de seus súditos usam papel-alumínio descartável para embrulhar seus sanduíches e jogam as sobras no lixo.”

Yuval Noah Harari em "Sapiens – Uma Breve História da Humanidade" (Editora L&PM, 2017)

A nossa sociedade precifica aquilo que é mais raro como mais caro e, consequentemente, leva à crença popular de que aquilo tem mais valor.

Se por algum tempo o alumínio foi um metal precioso mais raro que o ouro, um avanço tecnológico mudou o jogo e o derrubou ao mesmo status de outros materiais descartáveis.

O conceito do que é raro está mais ligado à incapacidade de produzir mais daquele bem do que necessariamente a sua escassez.

Consequentemente, dizer que algo tem mais valor porque é raro não passa de uma construção imagética, a qual um avanço tecnológico pode alterar.

E em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, essas disrupções são cada vez mais comuns. O “disruptor” de hoje é o “disruptado” de amanhã.

Se Google, Facebook e YouTube foram os disruptores das empresas tradicionais de propaganda, hoje estão tão grandes que se qualificam a serem o status quo e a serem disruptados por alguém novo.

Até aí, você pode argumentar que, com tanto dinheiro em caixa, essas gigantes da tecnologia podem comprar qualquer empresa, ou até replicar o modelo de negócio e assim se manterem líderes no mercado.

O exemplo mais recente foi o do Facebook e do Snapchat.

Mark Zuckerberg tentou comprar a empresa por US$ 1 bilhão e, depois de não ter conseguido adquiri-la, decidiu incluir o snap como uma função do Instagram, do Facebook e do WhatsApp.

Pronto. Se não pode comprá-los, copie-os e vença-os.

Mas e se você não puder comprá-los nem copiá-los?

E se o modelo de negócio que a sua plataforma concorrente usa é, basicamente, eliminar sua principal linha de receita?

E se aquele serviço pelo qual você cobra tão caro é oferecido de graça por outros, com a mesma qualidade, e copiá-los significa matar o seu negócio?

Exemplo disso é o que a Google fez ao copiar os produtos da Microsoft e disponibilizá-los gratuitamente em uma plataforma na nuvem.

Google Sheets, Docs e Slides são cópias daquilo que já existia no pacote Office da Microsoft.

Nem que a empresa de Bill Gates quisesse copiar o modelo da Google ela conseguiria, porque isso mataria o seu principal negócio, que era vender softwares.

A solução para a Microsoft foi se reinventar e criar outras linhas de serviços para sobreviver.

“A internet não matou as empresas. Ela permitiu que novos tipos de empresas crescessem e fez com que outras mais ágeis continuassem existindo.”

Isso define bem claramente como uma tecnologia disruptiva pode causar uma mudança de paradigma em nossa sociedade e permitir que apenas os mais adaptativos sobrevivam.

Com cripto, será a mesma coisa. Veja os seguintes números desta rede que possui apenas uma década:

  • US$ 1 bilhão foi o total pago em taxas de transação na rede do bitcoin.
  • Os mineradores em conjunto coletaram US$ 14 bilhões em troca de seus serviços para proteger a rede até hoje.
  • A base de custo médio de todos os detentores de bitcoin é de aproximadamente US$ 100 bilhões.
  • O valor de mercado de todos os bitcoins pendentes é de aproximadamente US$ 190 bilhões.
  • A rede liquidou aproximadamente US$ 2 trilhões em transações.

A partir de agora, com esses números e carregando um potencial disruptivo igual ou maior que o da internet, é um caminho sem volta.

“O bitcoin e o sistema de finanças descentralizadas não vão matar as instituições financeiras. Eles vão permitir o crescimento de novos tipos de empresas e fazer com que resistam apenas as mais resilientes.”

E se a queda no preço do bitcoin incomoda você, a única conclusão que posso tirar é que a sua alocação está errada.

Mesmo o preço tendo caído 50% desde o seu grande pico do ano, ainda é possível que ele caia mais 50%.

O mercado é volátil, sim, mas a assimetria é convidativa para o investidor de qualquer porte.

E se olharmos para janelas de três, cinco ou dez anos, nenhum mercado foi melhor que esse.

Com um retorno de 115% anualizado nos últimos cinco anos, o bitcoin goleou a média de todos os investimentos do mundo.

Dívidas, fundos de fundos, fundos de hedge, mercado imobiliário, venture capital, private equity e IPOs ficaram para trás do bitcoin.

O maior risco é estar fora desse mercado nos próximos cinco anos. Entenda isso e não deixe essa oportunidade passar.

Forte abraço,
André Franco

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