Seis anos de captação em apenas um

Janeiro ainda não acabou, e tivemos pelo menos dois eventos que mexeram com o mercado internacional de forma expressiva.

O investimento que você faz em segredo

Janeiro ainda não acabou, e tivemos pelo menos dois eventos que mexeram com o mercado internacional de forma expressiva.

As tensões entre Estados Unidos e Irã, que se acirraram nos primeiros dias do ano, e o avanço do coronavírus na China causaram queda nas Bolsas de todo o mundo.

Na contramão do derramamento de sangue, os criptoativos registraram forte alta, pelo menos para o parâmetro dos investimentos tradicionais.

Como consequência, a percepção do bitcoin como ouro digital ganhou mais um episódio favorável.

Em um ano em que se fala muito do impacto do “halving” (queda da remuneração dos mineradores da rede do bitcoin), a narrativa de hedge financeiro contra uma crise global joga a favor do mercado e pode potencializar a exponencialidade que essa classe de ativos pode alcançar ainda em 2020.

Outro fato que aponta que o bitcoin esteja ganhando tração entre os investidores institucionais é o relatório da Grayscale, empresa que possui alguns produtos muito semelhantes a ETFs de cripto.

No ano passado, a companhia captou US$ 608 milhões entre os investidores institucionais.

Isso representa todo o dinheiro captado nos seis anos anteriores, desde a sua criação. 

É um marco para a empresa e também para a classe de ativos, que, nitidamente, começa a ocupar alocações de grandes fundos de hedge norte-americanos.
E, caso a narrativa de porto seguro fique mais evidente a cada dia, como aconteceu nos episódios recentes, mais investidores institucionais terão justificativas para manter pequenas alocações em bitcoin.

No entanto, essa captação recorde mostra muito como esse mercado ainda é marginalizado.

Cripto ainda é –– e vai continuar sendo por um tempo –– aquela classe de ativos em que se investe em segredo e sobre a qual só se fala se o investimento deu certo no fim.

Não espere que algum desses hedge funds, que compõem as centenas de milhões captadas pela Grayscale, falem orgulhosamente do seu investimento para o New York Times.

Quanto mais segredo houver, melhor para eles. A verdade só virá à tona quando, e se, tudo correr bem.

Foi assim em 2017 e será assim quando o mercado voltar a testar a marca dos trilhões de dólares.

Você deveria fazer o mesmo. Não precisa investir e ter vergonha de encarar seus amigos do clube ao falar da sua mais nova aposta.

Sei que o ideal seria ter um árbitro de vídeo para mandar voltar a jogada no caso de o investimento não ir na direção desejada, mas isso não é possível.

A saída mesmo é fazer o que os grandes estão fazendo: investir em segredo.

Ninguém precisa saber da sua carteira e, se te pegarem lendo esta newsletter, diga que a abriu por engano.

Forte abraço,

André Franco

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