Carta para o Papai Noel

Querido Papai Noel, Antes de entrarmos no mérito da questão, se eu fui ou não um bom menino neste ano, quero dizer que estou com saudades. Há muito não nos falamos. Aliás, o senhor nunca foi lá muito de falar, né? Costumava responder com atos, o que sempre me despertou empatia. Desde criança, gosto muito do senhor. 

Querido Papai Noel,

Antes de entrarmos no mérito da questão, se eu fui ou não um bom menino neste ano, quero dizer que estou com saudades. Há muito não nos falamos. Aliás, o senhor nunca foi lá muito de falar, né? Costumava responder com atos, o que sempre me despertou empatia. Desde criança, gosto muito do senhor. 

Saiba que eu nunca confundi as coisas. O fato de o senhor não ter sido muito generoso em alguns anos ou mesmo o lance de os Natais lá em casa historicamente serem um pouco tristes jamais afetaram sua imagem. Para mim, o senhor é de show de bola. O passado não se muda e acho que devemos mesmo é olhar para a frente. Quem sabe assim o senhor não amolece o coração… 

Sabe, eu não sei se me comportei bem. Estou entre Raul Seixas e Paul Rodgers. Alterno entre “eu não sou besta pra tirar onda de herói, sou vacinado, eu sou cowboy” e “that's why they call me bad company, I can’t deny. Bad, bad company, till the day I die”.

Não sou do discurso nem do comportamento politicamente correto. Eu não abraço árvore, não tenho cartão roxo, não ando de patinete, não sou “descoladex” ou “Faria Limer”, não uso happy socks, nem tenho vocação para Ayrton Senna. Graças a Deus! Para piorar, eu acho que as pessoas deveriam fazer o que elas mesmas (e mais ninguém) gostariam de fazer, acima de qualquer imposição, acima de qualquer outra coisa. Manja aquele livraço (não pelo tamanho, claro, mas pela profundidade) do Nietzsche: “Além do Bem e do Mal”? Isso me deixa em maus lençóis perante o que o senhor, metaforicamente, representa em termos de doutrina. Uma pena. 

Em contrapartida, tenho alguns argumentos em minha defesa, se o senhor me permite… Mamãe comentou, no que seria o aniversário do papai — foi agora, dia 5 último —, que tenho cumprido muito bem a promessa que fiz para ele em seu leito de morte. Ela diz que se sente muito bem cuidada. O João Pedro está ótimo também. Foi representante de classe neste ano, o que o deixou orgulhoso à beça. Todos dizem que ele é uma criança muito bem educada e eu, sem muitas referências (por enquanto, espero), gosto de acreditar que isso se deve, ao menos em alguma medida, ao exemplo dos pais. Sim, eu reconheço a maior influência da mãe, mas talvez haja aí alguma coisinha vinda de mim. Raspas e restos me interessam. Gabi também me parece estar feliz e iluminada. Ela mesma que fala, e eu acredito. E, então, o senhor sabe: “happy wife, happy life”. Com a família em ordem, tudo fica mais fácil. Como diria Jordan Peterson, comece arrumando o próprio quarto. E, na família, claro, incorporo os amigos mais próximos, que procuro ajudar quando posso — poderia fazer mais, sim, mas tenho também minhas limitações. 

Falta falar do outro filho, evidentemente: a Empiricus. Cometemos erros ao longo do ano, claro. Feliz ou infelizmente, sabemos que cometeremos outros. Uma das questões mais instigantes da vida é a capacidade de conviver com a imperfeição — desculpe, mas se você se acha perfeito, procure um médico. Muito provavelmente não está em perfeito uso de suas faculdades mentais.

Sei também que ainda estamos longe do que podemos ser. Há muito, mas muito mesmo a melhorar, e também a crescer. Mas, no geral, julgando pelos resultados — neste nosso mercado, é isso que interessa, o senhor não concorda? —, o ano foi bacana. Aumentamos bastante o número de nossos assinantes, adotamos outro patamar de governança interna, nos institucionalizamos, abrandamos o tom de nossas campanhas de marketing, nos aproximamos respeitosamente do regulador do mercado de capitais, melhoramos em processos, pessoas e tecnologia. Como corolário prático dessas coisas, acabamos de apurar o maior NPS (em linhas gerais, métrica de satisfação de assinantes) de nossa história. Isso me deixa verdadeiramente feliz.

Em termos ainda mais pragmáticos, a performance das carteiras da Empiricus, medida, apurada e publicada, foi excepcional até aqui — sempre faço essa ressalva temporal, porque, não sei se o senhor sabe bem, o Brasil é o país da revoada dos cisnes negros, onde eventos raros acontecem toda semana e pouquíssimos dias fazem a diferença; aqui, a gente só comemora depois que o juiz apita, tendo checado o VAR. A Carteira Empiricus, o PRP, o Microcap Alert, o Double Income, as Vacas Leiteiras, as Oportunidades de Uma Vida — só para citar alguns exemplos mais emblemáticos — tiveram resultados absolutamente espetaculares. 

Talvez o senhor, acertadamente, já rebata com o argumento de que “num bull market, só há gênios na Faria Lima”. Não tenho muito como contra-argumentar. Talvez estejamos aqui apenas surfando as ondas da sorte e da aleatoriedade. Eu mesmo me pergunto isso todos os dias. Desconfio 24/7 da minha própria capacidade — e adoraria que o senhor ou quem mais vier a eventualmente ler esta cartinha também desconfiasse. Há algum risco de ela ser extraviada? Mas, objetivamente, os portfólios sugeridos bateram por larga vantagem seus respectivos benchmarks. Talvez isso diga algo, talvez não, sei lá. De todo modo, melhor que seja assim, não acha? Seja como for, melhor ganhar do que perder. “Meu filho, você é muito competitivo”, cresci ouvindo isso.

Também concordaria se o senhor apontasse aqui um potencial “halo effect”. Estaria eu, por meio desse argumento de autodefesa, tentando atribuir um resultado de performance a qualidades pessoais dos analistas e do top management? Por exemplo, se uma empresa vai bem, por qualquer razão, imediatamente temos a tendência a achar que seus gestores são ultraqualificados e tal. Ela vai mal, e o top management vira desqualificado. Ué, mas não são as mesmas pessoas? Obviamente, muitas vezes não há qualquer relação entre as coisas. Então, talvez as performances das carteiras nada tenham a ver com minha postura aqui, tentando angariar, de forma equivocada, alguns pontos em favor de um eventual “bom comportamento no ano”. É verdade, é verdade. Esse não parece um bom caminho.

Deixe-me tentar um outro ângulo, então. Como talvez o senhor saiba, o número de CPFs cadastrados na B3 basicamente dobrou neste ano. Superamos a marca de 1,5 milhão de investidores. Em fundos imobiliários, mais do que triplicamos. 

Interessante, não é? Tenho plena convicção de que o principal agente transformador desse processo — além do juro baixo, claro — é a XP (eu não confundo as coisas, e mantenho as mesmas palavras que sempre falei a respeito da XP e de seu fundador). No entanto, também não acho que a XP seja a única instituição responsável por isso. Outros deram alguma contribuição para o fenômeno de “financial deepening”. A Empiricus, tendo 365 mil famílias com acesso a nosso conteúdo, possivelmente ofereceu uma pequena ajuda nesse processo. Citando aqui outro Noel, o Rosa, “o que eu falo é bem pensado. Não receio escaramuça. E que aceite a carapuça quem se sente melindrado”.

Desses nossos assinantes, a maior parte é investidora de ações. Então, eu suspeito que o senhor concorde que algo aí deve decorrer de nossos esforços. Pode ser muito ou pouco, vai saber. Mas ao menos um tiquinho há de decorrer.

O senhor faça aí as suas contas. Pondere os dois lados, da forma maniqueísta, bem ao seu gosto. Deixo a seu critério se, depois de ponderadas as coisas, eu mereço o meu presente de Natal. 

Admitindo que o senhor, generoso e fraterno como costuma ser, vai optar pela resposta positiva, eis aqui o meu pedido: que o investidor brasileiro, depois de ter iniciado seu processo de abandonar a poupança e as aplicações pós-fixadas convencionais (reitero: apenas “iniciado”), agora possa dar um novo passo, na direção da internacionalização de seus investimentos.

Veja, Papai Noel, essa é uma boa causa. O senhor deveria se sensibilizar. O Brasil é um dos países onde o “home bias”, a tendência a investir nos ativos locais, se mostra mais forte em todo o mundo. Apenas cerca de 1% da poupança das famílias brasileiras está aplicada lá fora; a título de comparação, no Chile, isso chega a 80%. 

Não é porque haja algum ufanismo ou nacionalismo especial por aqui. Esse baixo percentual decorre apenas do histórico de juro muito alto. Antes, era muito difícil para o investidor comprar qualquer coisa lá fora, porque, ao fazê-lo, ele acionava um taxímetro que rodava contra si a uma taxa superior a 1% ao mês. 

Mas isso mudou agora. E com a grande onda de recursos saindo da poupança e do CDI para nossos ativos, logo, logo teremos falta de ativos por aqui. Precisaremos, necessariamente, ir lá para fora. E, claro, quanto antes, melhor. Ou será que o senhor, digo, que Deus é mesmo brasileiro e todas as oportunidades de bons investimentos estão só aqui? Eu imagino que não, né? Se o senhor fez isso, foi generoso com o Brasil e sacrificou todos os demais países. Não seria justo. O senhor não faria isso, não. Equidade horizontal, isonomia. 

Não é intuitiva a ideia de que devemos diversificar também entre países?

Sabe, Bom Velhinho, queria dizer que esse não é só um presente de Natal. É também minha meta pessoal para 2020: ajudar, dentro do meu microcosmo e de minhas parcas possibilidades, o investidor de varejo brasileiro a ter uma grana exposta também aos mercados internacionais, abandonando a equivocada ideia de ter 100% de seus recursos no Brasil.

Eu vou respeitar qualquer decisão que o senhor vier a tomar. Mas, enquanto isso, se me permite, vou tentar fazer a minha parte. Quero maximizar as minhas chances com o senhor e não vou ficar parado.

Com a mais do que ajuda da Vitreo, nossa gestora parceira, trazemos hoje ao nosso leitor e assinante a possibilidade de investir no exterior, com uma carteira de exposição global e devidamente ponderada e balanceada, de uma forma simples e eficiente.

Qual a nossa parte nessa parceria? A exemplo de situações anteriores semelhantes, propusemos uma carteira com exposição global em nossa série MoneyRider, cujo objetivo é exatamente oferecer boas ideias de investimento lá fora. O MoneyRider é tocado brilhantemente pelo João Piccioni e pelo Enzo Pacheco, com resultados formidáveis em seu histórico. Metaforicamente, ele seria o que mais perto poderíamos chegar, enquanto empresa publicadora de ideias de investimento, de nossa proposta de um hedge fund global.

Então, a Vitreo criou um veículo cujo objetivo é, depois de realizada a diligência da própria gestora, perseguir o portfólio global indicado na série MoneyRider.

Com isso, oferecemos ao investidor pessoa física brasileiro um acesso fácil e eficiente a uma carteira global. É mais um passo no sentido de obedecer à nossa própria vocação, de estreitar o gap entre os profissionais e multimilionários atendidos pelas gestoras de fortunas ou private bankings e o investidor até então alijado dessas possibilidades. A razão de nossa existência é levar ao investidor comum opções tão boas ou até mesmo melhores do que aquelas antes restritas aos profissionais e aos private bankings. Estamos muito felizes com mais esse marco na nossa história. O investidor brasileiro merece mais do que aquilo que lhe tem sido oferecido.

Encerro por aqui, Papai Noel, torcendo para que o senhor se sensibilize. Quem sabe até o senhor mesmo não se anime a investir no fundo. Pode ser especialmente útil no seu caso: com um passivo em âmbito global, faz ainda mais sentido ter ativos também em esfera mundial. 

Sem querer abusar, mas se puder trazer também aí do exterior um kit com melatonina e minoxidil, vou ficar ainda mais agradecido. Se achar exagero, tudo bem, eu me viro. A questão da diversificação dos investimentos no exterior é mesmo a mais urgente.

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