Chegou a hora de investir em realidade aumentada

Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo robô.

Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo robô.

Que uma velha mudança, em breve, vai acontecer.

E o que há algum tempo era idoso e velho hoje é novo.

E precisamos todos "reenvelhecer".

Buffett não bate mais o S&P 500, e dizem por aí que suas formas de atuar estão ultrapassadas. A pipa do vovô não sobe mais.

Se for mesmo o caso, sem problema algum. Convenhamos, o cara já fez a parte dele. Merece uma aposentadoria feliz, livre da disputa extenuante contra benchmarks.

Mas talvez — e apenas talvez — não seja o caso.

De repente, teimo em ver todas aquelas teses de investimento démodé do Buffett combinando com uma nova ordem mundial.

Ferrovias, construção civil, fábricas de alta complexidade, grandes projetos de engenharia…

Tudo isso pode, sim, voltar à moda, exatamente porque quase saiu de moda.

Pois é, bem-vindo à belle époque do uso intensivo de capital.

Demos a volta completa ao mundo e, como era de se esperar, desembarcamos no mesmo lugar de partida.

Como foi essa volta?

Antes e durante as Grandes Guerras, a economia global era jovem (mais consumo, menos poupança) e aportava uma tonelada de capital (na verdade, várias toneladas...) para produzir coisas que precisavam de capital (óbvio), mas também não precisavam taaanto assim de capital (menos óbvio).

Já do Pós-Guerra até hoje, isso mudou radicalmente. Envelhecemos e demos um salto exponencial na produtividade do emprego de capital. 

Graças à ascensão de serviços e tech, nosso mix ficou muito mais virtual e menos real. Trocamos "E o Vento Levou" por "Matrix". Ladrões invadiam nossas casas para roubar liquidificador, hackers invadem nossas contas de Facebook para roubar dados de cartão.

Tudo isso redunda, estruturalmente, em um novo patamar de taxas de juros, próximo a zero.

Em nossos anos de faculdade, eu e o Felipe aprendíamos a derivar funções de produção do tipo Y = K2/3 x L1/3, onde K seria o capital e L o trabalho.

Sob a ótica atual, e supondo que funções de produção de fato existam (desconfio que não), os parâmetros K e L ou estão dados em proporção equivocada ou simplesmente não servem mais.

Capital está de graça, mão de obra está barata no mundo.

Projetos antes pensados em termos de fatores de produção, capex difícil, inviáveis, agora ressurgem como perfeitamente viáveis e lucrativos.

Ferrovias, construção civil, fábricas de alta complexidade, grandes projetos de engenharia…

Aquilo que REALMENTE demanda uso intensivo de capital volta a ter apelo, e talvez tenha um apelo incomparavelmente grande.

À medida que nos tornamos cada vez mais virtuais, chutando múltiplos estratosféricos para startups high tech da Era do Silício, aquelas poucas coisas demasiadamente reais podem se valorizar de verdade, bem à nossa frente, enquanto vestimos os nossos smart glasses de realidade aumentada.

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