Teorema do Valor Médio (para adolescentes)

Todo adolescente tem aquela fase em que odeia ser jovem e detesta ter que pedir autorização para os pais. Depois, passamos o resto da vida lutando contra o envelhecimento e reconhecendo, embasbacados, tudo o que nossos pais fizeram em prol de filhos ingratos, arrogantes e revoltados.

Todo adolescente tem aquela fase em que odeia ser jovem e detesta ter que pedir autorização para os pais.

Depois, passamos o resto da vida lutando contra o envelhecimento e reconhecendo, embasbacados, tudo o que nossos pais fizeram em prol de filhos ingratos, arrogantes e revoltados.

É assim mesmo.

Graças ao meu irmão, cinco anos mais velho, aprendi na adolescência uma infalível (?) tática de negociação para conseguir sair de casa, e me lembro até hoje da magia envolvida.

Posto que o adolescente esteja fadado a ficar em casa (A) e queira ir a um churrasco do colégio (B), o alcance de seu objetivo é maximizado na medida em que o referido adolescente inventa um programa (C) cujo nível de complexidade é infinitamente maior que o de A e significativamente acima do de B. 

Tal nível de complexidade se define por um contínuo cujo extremo superior implica adentrar coma alcoólico, usar drogas ilícitas, fazer sexo inseguro e/ou morrer, não necessariamente nessa ordem.

Exemplo prático.

"Mãe, hoje vai ter aquele baile funk, sabe? Lá no Bentinho? Começa cedo até, no máximo quatro da manhã já tô em casa. Tô pensando em ir com o Risada, tá? Só pra te avisar".

Claramente, essa tentativa pífia de fazer um pedido desesperado em forma de aviso será negada.

Mas tudo bem, o GRANDE OBJETIVO acabará sendo alcançado, no fim das contas.

Vejamos.

"Ah, mãe, estou puto, muito triste, deprimido que você não me deixou ir no Bentinho, o lugar que eu mais queria ir no mundo, o Risada vai mesmo assim, a mãe dele deixou, óbvio, ela é muito mais legal que você, mas tudo bem, ah, você deixa pelo menos eu ir naquele churrasquinho bonanza do colégio, então? Sério? Mesmo? Te amo, mãe! Urrrruuuu!"

Quem nunca?

Você acha que estava enganando sua mãe, porque se esquece de que ela já foi adolescente. Aliás, ela já foi várias vezes mais adolescente do que você.

Naturalmente, você se esquece porque hoje ela é adultíssima, sempre foi adulta, desde que você nasceu, e está cada vez mais adulta. Não dá para imaginar sua mãe adolescente.

No entanto, algumas pessoas nunca abandonam a adolescência.

E agora temos que ouvir papinho de CPMF digital, o baile funk da reforma tributária que promete um belo trigger para buscar fortuna em 2020.

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