
Imagem: iStock/Iuliia Zavalishina
Em nossa constante busca pela prosperidade financeira, estamos sempre à procura dos caminhos e das decisões que nos levam à direção almejada.
Educação, profissão, carreira, investimentos, empreendedorismo. As escolhas nos definem, construindo a estrada à medida que a vamos trilhando.
Haveria, porém, uma decisão fundamental, cujo impacto determina nossas chances de evoluir financeiramente?
Scott Galloway, palestrante, autor, empreendedor e professor da NYU, costuma dizer que a decisão financeira mais importante que uma pessoa toma na vida é com quem ela escolhe se casar. E eu concordo 100% com ele.
Casar foi uma das decisões financeiras mais inteligentes da minha vida.
Separar teria sido, sem dúvida, uma das mais custosas.
Pode soar frio. Mas os números não mentem.
Quando olho para minha trajetória, vejo o quanto uma parceria sólida fez diferença na construção do meu patrimônio.
Sou casado há 21 anos com a Larissa. E não tenho a menor dúvida de que tudo que conquistei — pessoal e profissionalmente — tem a ver com essa escolha.
Ao longo dos anos, essa parceria construiu mais do que um lar. Construiu segurança. E também alegria, estabilidade e sentido.
Uma boa parceria amplifica as alegrias e oferece um porto seguro nas tempestades. Voltando a Galloway, ele descreve com clareza a diferença entre pessoas altamente bem-sucedidas que vivem casamentos vazios e aquelas que, mesmo sem grandes conquistas externas, têm ao lado alguém que torna a vida mais rica, mais leve e mais significativa.
Com a pessoa certa, momentos comuns se tornam memórias extraordinárias. Os desafios deixam de ser fardos solitários e viram vitórias compartilhadas. Você passa a jogar para o time, e não somente para si mesmo.
Escolher bem com quem dividir a vida é, no fundo, o que molda a qualidade da nossa jornada.
Já vi, de perto, o que acontece quando essa escolha dá errado.
A separação costuma ser um terremoto financeiro.
Dividir patrimônio. Reorganizar moradias. Custear dois lares. Lidar com os custos jurídicos, emocionais, logísticos.
Tudo isso tem um preço alto. E ele não é apenas imediato.
Estudos mostram, e a vida confirma, que os efeitos do divórcio se estendem por décadas.
Uma pesquisa da RAND Corporation indica que, entre os 51 e 60 anos, os casados acumulam mais que o dobro do patrimônio líquido dos divorciados.
Pessoas divorciadas acumulam menos riqueza. Têm menor taxa de propriedade de imóveis. Enfrentam maior risco de pobreza na velhice.
Para as mulheres, o impacto é ainda mais cruel.
De acordo com um estudo da U.S. Government Accountability Office, mulheres que se divorciam após os 50 anos têm uma taxa de pobreza quatro vezes maior do que mulheres casadas da mesma idade.
Muitas saem do casamento com menos tempo no mercado de trabalho. Menor acúmulo previdenciário. E, quase sempre, com a responsabilidade principal pelos filhos.
Aos 60 anos, uma em cada quatro mulheres que se divorciaram depois dos 50 vive na pobreza.
Eu também aprendi que a relação entre casamento e dinheiro é de mão dupla.
Famílias mais estáveis tendem a ser mais prósperas. Mas também é verdade que os casamentos são mais estáveis quando há segurança financeira.
Entre homens com baixa renda, as taxas de casamento despencaram nas últimas décadas.
O casamento, que já foi uma instituição universal, hoje parece quase um privilégio de quem tem estabilidade.
Por isso, falo sobre dinheiro em casa sem tabu.
É cuidado. É maturidade. É amor em forma de responsabilidade.
Planejar juntos. Manter certa autonomia. Discutir metas. Construir uma reserva e depois um patrimônio. Cuidar um do outro.
Isso protege não só o nosso patrimônio. Protege a relação.
Casamento não é uma decisão financeira.
Mas tem consequências financeiras imensas.
Ignorar isso seria um erro.
Quando penso em longo prazo, e é disso que os bons investimentos tratam, talvez não exista ativo mais poderoso que uma parceria sólida.