A travessia

É assim que nos encontramos agora, em meio a uma travessia.

Uma travessia.

É assim que nos encontramos agora, em meio a uma travessia.

Como e quando chegaremos ao fim dela? E em que condições? Ninguém sabe.

Ouvi a analogia da travessia em duas ocasiões nesta semana.

A primeira foi na fala de Rogério Xavier, sócio da gestora SPX. Ele comparou o momento atual à travessia de um rio de águas turbulentas.

Na sexta-feira, foi a vez de Felipe Guerra, comandante da gestora Legacy Capital, usar uma metáfora semelhante.

Em uma live com o nosso Felipe Miranda, Guerra comparou-se a um comandante de uma aeronave em meio a uma intensa turbulência causada por um temporal. Por mais preparado que esteja e por melhor que seja seu equipamento, ainda assim trata-se de uma posição delicada, que exige o máximo de prudência e cautela.

A lista de fatores que contribuem para o risco e a incerteza é longa. A combinação e a intensidade dos problemas é inédita.

Calcula-se que mais de 1 bilhão de pessoas estejam em lockdown neste momento e, talvez, um número ainda maior fosse recomendável.

O impacto disso na economia global é brutal.

Começa a virar consenso entre economistas e analistas as projeção de crescimento negativo para as principais economias do mundo neste ano. 

No exato momento em que escrevo esta newsletter, o banco de investimentos Goldman Sachs divulga sua projeção de uma contração de 3,4% na economia brasileira.

Em nossa live, Felipe Guerra foi mais pessimista, prevendo um crescimento negativo de 4% para o Brasil em 2020. Para os Estados Unidos, sua estimativa é de uma queda de 3% considerando um lockdown de quatro semanas. Para cada semana adicional a isso, o PIB americano seria reduzido em 0,75 ponto percentual. 

Uma imagem demonstra a magnitude da queda da atividade. O gráfico dos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos nas últimas cinco décadas, divulgado na quinta-feira (26), é dramático:

A falta de dados e estatísticas confiáveis é o principal impeditivo ao combate à epidemia do coronavírus.

Por se tratar de uma nova forma de vírus, não temos histórico de seu comportamento. A real taxa de mortalidade fica prejudicada pela baixa penetração de testes na população. Afinal, se não sabemos quantos estão contaminados, não há como se determinar sua relação com os óbitos.

O próprio número de óbitos causados pela epidemia é incerto, já que o vírus pode estar presente, mas não ser o fator determinante da morte em casos de comorbidade. 

Podemos conter o vírus se colocarmos todos em lockdown, mas quebramos o planeta. Por outro lado, se não nos protegermos agora, a epidemia sai do controle. O sistema de saúde entra em colapso, levando a muitos óbitos que poderiam ser evitados com um tratamento médico adequado.

As autoridades não agem, somente reagem a pressões. Se não há consenso quanto à contenção da epidemia, todos concordam que não podem poupar na ajuda às fragilizadas economias nacionais.

Trilhões de dólares estão sendo injetados para evitar um colapso ainda maior. O equilíbrio fiscal, ou a tentativa de equilibrar as finanças públicas, está sendo abandonado em prol da sustentabilidade econômica no curtíssimo prazo.

Como não há almoço grátis, a conta do resgate virá e não será barata. No momento, porém, não há outra coisa a fazer.

Voltando ao início, só nos resta seguir atravessando o caminho que nos coube.   

Nesta semana os mercados melhoraram um pouco, com três dias seguidos de alívio. 

Já podemos nos tranquilizar e voltar com apetite ao risco? Diante do cenário que ainda se apresenta, não parece ser o mais apropriado neste momento.

A Empiricus está mais mobilizada do que nunca para ajudá-lo nesta travessia.

Como o máximo de prudência, chegaremos lá.  

Deixo você agora com os destaques da semana.

Boa leitura e um abraço.
Caio

P.S.: Pedro Cerize disse recentemente: “O que faz diferença não é o que você faz quando o mercado está subindo. Quando o mercado está subindo, todo mundo é inteligente. Mas o que faz diferença é o que você faz quando o mercado está caindo e com volatilidade”. Pedro sempre nos instiga com suas ideias autênticas e lucrativas de investimentos... E hoje indico fortemente a leitura do completa do LIVRO DO PEDRO CERIZE: "Who Cares?", que acaba de ser lançando (em pré-venda exclusiva) pela Inversa. Conseguimos alguns exemplares para leitores da Empiricus e sugiro que você já RESERVE O SEU LIVRO AQUI.

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