Dentro da cabeça de um típico “esquerda caviar”

“Eat the rich; there’s only one thing they’re good for Eat the rich; I take one bite now — come back for more Eat the rich; I gotta get this off my chest Eat the rich; I take one bite now, spit out the rest” Eat the Rich – Aerosmith

“Eat the rich; there’s only one thing they’re good for
Eat the rich; I take one bite now — come back for more
Eat the rich; I gotta get this off my chest
Eat the rich; I take one bite now, spit out the rest”
Eat the Rich – Aerosmith

(Inspirado no texto “Inside the Mind of the Not-Quite-Rich Leftist”, de Mark Ford.)

“Eu vejo um mundo cheio de pessoas pobres. E o Brasil então?! É o campeão mundial da desigualdade.

Ando por aí e me entristeço com o que vejo. Tanta gente simplesmente subsistindo. Moram de forma precária, longe. Sofrem no transporte público.

A própria aparência é um atestado de pobreza. As roupas são feias, não combinam. Cabelos malcuidados, cortes que não se usam mais. Eles têm gostos estranhos, hábitos que não tenho. Coitados, não tiveram as mesmas oportunidades que eu.

Observo muito. Para isso, prefiro guardar distância. Confesso que não tenho laços de amizade com pessoas mais pobres, mas convivo com elas cotidianamente. E não falo apenas dos funcionários lá do prédio em que eu moro ou do escritório onde trabalho. Gosto de circular, vou ao mercado, à farmácia, à padaria. E encontro todo tipo de gente.

Admito que sinto vergonha por ter muito mais dinheiro que a maioria. Um certo sentimento de culpa, sei lá. Às vezes, me preocupo que eles pensem mal de mim por eu ser um privilegiado. Mas o ponto é que eu quero o bem de todos, de verdade.

Eu realmente queria um mundo e um Brasil melhores. Onde as pessoas ganhassem bem, tivessem uma casa confortável, acesso à educação e saúde de qualidade. Fico sonhando com a harmonia e o sentimento de bem-estar que todos poderiam usufruir. E não é uma loucura, uma ficção. Você já foi para os países escandinavos? Por que não podemos ser como eles?

Sonhar somente não resolve. Por isso estou realmente empenhado em mudar as coisas. Estou conectado com pessoas com as mesmas boas intenções que eu. Afinal, as redes sociais podem nos ajudar nas causas que realmente importam. Tem um monte de ONGs e grupos empenhados em reduzir a concentração de renda e a desigualdade social.

E tem o voto também. Infelizmente, meu candidato perdeu a última eleição e nos restou essa desgraça que está aí. Não há mal, porém, que dure para sempre. E estou gostando bastante das coisas que o Luciano Huck tem falado.

É inacreditável que um país tão rico como o nosso tenha tanta pobreza. E a solução é tão simples: basta distribuir melhor. Os abastados têm que compartilhar, dividir melhor com a sociedade toda essa riqueza acumulada e represada.

Todo mundo sabe que no Brasil os ricos pagam muito pouco imposto. Isso é um absurdo!

E falo aqui dos ricos de verdade, dentro os quais eu obviamente não me incluo. Tenho uma vida confortável, privilegiada, como falei no começo, mas foi tudo conquistado com muito esforço e dedicação. E, para ser bem franco, acredito que merecesse ganhar mais.

Ricos mesmo são aqueles que moram naqueles condomínios cheios de segurança, só andam de carro blindado e colocam os filhos para estudar em escolas internacionais. O meu chefe mesmo é um desses. Um babaca!

São esses exploradores que deveriam abrir mão desse luxo obsceno, cafona, para ajudar tantos que têm tão pouco. Afinal, todos sabem que o capital só é acumulado pela exploração do trabalho alheio. É daí que vem a mais-valia. Fora que, no Brasil, com tanta corrupção, boa parte das fortunas vêm mesmo de esquemas e golpes. Tirar dinheiro dessa gente é fazer justiça social.

Além da exploração direta, a altíssima remuneração do capital no Brasil, que também era o campeão dos juros altos, fez com que as fortunas se acumulassem.

Falam tanto de reforma tributária, mas não me iludo. O neoliberalismo do Paulo Guedes vai aliviar mais uma vez para os ricos. Afinal, ele é um deles. Mercado financeiro, sabe? Que nojo!

Reforma tributária de verdade passaria não só por aumentar as alíquotas do Imposto de Renda para os muito ricos, mas também pela taxação das grandes fortunas. O PSOL tem uma proposta maravilhosa. O próprio Piketty assinaria embaixo.

Por falar em Piketty, o novo livro dele traz uma proposta de uma alíquota de IR de 90% para os ultrarricos. Temos que fazer isso aqui no Brasil também.

E até nos Estados Unidos boas ideias estão surgindo. A Elizabeth Warren, que deve ser a candidata democrata à Casa Branca, está propondo um imposto sobre fortunas de 2% para fortunas acima de 50 milhões de dólares e de 3% para os bilionários.

Sei que é mais fácil arrecadar do que distribuir. Reconheço também que a própria burocracia do Estado termina absorvendo parte do valor adicional arrecadado. Paciência. O que não dá para aceitar é essa corja podre e insensível de ricos esbanjando por aí.

Do meu lado, vou seguir defendendo o bem, usando minhas armas para atacar a injustiça, a desigualdade e a ganância. Apesar da minha ascendência europeia, não posso aceitar a opressão do patriarcado branco num país mestiço e diverso.

Ah, e não vamos nos esquecer também do meio ambiente. Aquela menina Greta é o máximo!”

Deixo você agora com os destaques da semana.

Um abraço e boa leitura,
Caio

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