Mais Brasília e menos Brasil - 2020

Bolsonaro conquistou a Presidência com o lema “Mais Brasil e menos Brasília”. Logo após sua eleição, escrevi uma newsletter tratando exatamente disso. Confesso que me entusiasmei com a possibilidade de um país mais livre, mais moderno. Onde o poder do Estado Profundo (empresto aqui o termo “Deep State” dos libertários americanos) fosse, pelo menos, relativizado.

Bolsonaro conquistou a Presidência com o lema “Mais Brasil e menos Brasília”.

Logo após sua eleição, escrevi uma newsletter tratando exatamente disso.

Confesso que me entusiasmei com a possibilidade de um país mais livre, mais moderno. Onde o poder do Estado Profundo (empresto aqui o termo “Deep State” dos libertários americanos) fosse, pelo menos, relativizado.

Reconheço que era uma missão ousada. A predominância do Estado é uma herança de séculos.

Das capitanias hereditárias às “campeãs nacionais”, sempre convivemos com o incesto do público com o privado.

Esquerda e direita se alternavam no poder, mas a máquina governamental só fez crescer.

Como a participação dos três níveis de governo no PIB brasileiro ronda os 40%, cabe aos outros 60% produzir o suficiente para se bancar, ao mesmo tempo que sustenta esse parasita descomunal.

Mais Brasil e menos Brasília representava essa vontade de avaliarmos, minimamente ao menos, o peso do sanguessuga.

Não satisfeito em se apropriar dos recursos do seu hospedeiro por meios legais, montado em leis, normas e regulamentações, o parasita não se furtava de usar subterfúgios para corromper o debilitado hospedeiro.

Bolsonaro apresentou então a solução dupla para o combate.

Para modernizar o país, trouxe Paulo Guedes e sua plataforma econômica liberal. O sucesso da reforma da Previdência nos dava esperanças de que um novo ciclo de prosperidade poderia se tornar realidade. Na falta de um veneno eficaz que liquidasse o parasita, pelo menos poderíamos respirar um pouco mais aliviados por carregar um fardo mais leve.

E, para limpar o país, Bolsonaro convocou Sergio Moro, o símbolo do basta nacional à corrupção crônica.

Com Guedes e Moro devidamente prestigiados, tínhamos confiança na possibilidade de resgatar o nosso Brasil moribundo.

A saída de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça fratura um dos dois pilares que sustentavam o atual governo.

Ao sair, Moro apresentou suas motivações, mais do que razoáveis, para deixar o cargo. Não toleraria a interferência do presidente em suas funções, em especial no que se refere às investigações da Polícia Federal.

Aparentemente, Bolsonaro agiu para proteger o filho Flávio, enrolado em denúncias de corrupção e envolvimento com milícias.

É provável, contudo, que a recente aproximação do Executivo com o fisiológico Centrão tenha resultado na saída de Moro, já que o agora ex-ministro não era a pessoa mais popular de Brasília.

Se for assim, então inverte-se o lema. Para Bolsonaro, agora é “Mais Brasília e menos Brasil”.

Conseguirá Paulo Guedes sustentar sozinho nosso sonho de um Brasil melhor?

A reação do mercado na sexta-feira já nos deu uma pista.

Deixo você agora com os destaques da semana.

Boa leitura e um abraço,
Caio

P.S.: A política ofuscou a crise causada pelo coronavírus. O Felipe explica como se proteger neste momento delicado. 

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