O Brasil é um país para profissionais

O Brasil é um país para profissionais e nós, brasileiros, nos formamos na prática. Treinamento “on the job”.

O Brasil é um país para profissionais e nós, brasileiros, nos formamos na prática. Treinamento “on the job”.

Trago aqui minha experiência pessoal.

No meu primeiro ano de faculdade, já encarei o Plano Cruzado.

A ficção de domar a inflação com congelamento de preços criava um exército de fiscais do Sarney. Os vilões da época eram os donos de supermercado e os pecuaristas que “escondiam” o boi no pasto.

O plano teve entusiasmado apoio, até na Academia. Lembro de um professor da FGV declarar que o Brasil não seria mais o mesmo, tendo dado como certa a vitória contra o dragão inflacionário.

Já no meu primeiro ano de formado veio a bomba do Plano Collor.

Selecionado no competitivo programa de trainees no Bank Boston, à época sob o comando de Henrique Meirelles, cumpria uma etapa do meu treinamento na agência de Belo Horizonte (ah, os barzinhos da Savassi) quando Zélia Cardoso de Mello confiscou depósitos acima de 50 mil cruzados novos (uns US$ 1.300 na época).

Depois de quatro dias de feriado bancário, a agência do banco abriu para uma longa fila de desesperados correntistas que buscavam algum sinal de suas economias subtraídas.

Um par de anos depois, aceito pela Universidade Columbia, fui para os Estados Unidos cursar meu MBA. Ao sair de lá, em 1994, vem o Plano Real, e o Brasil muda de fato sua economia.

Não se vence uma guerra sem cicatrizes, todavia. Juros reais no céu ancoravam nossa nova moeda. Eu trabalhava em Nova York, recém-formado, e meu salário em dólares era curto quando visitava São Paulo. Câmbio de ponta-cabeça.

Aos 25 anos, já ficava óbvio para mim que, como brasileiro, não morreria de tédio.

Temos um Estado grande, ineficiente, cuja atuação é norteada por uma política com interesses opacos. Junto a ele, agregam-se representantes do setor privado cuja viabilidade baseia-se nas relações com entes públicos.

Relações privadas são baseadas em trocas voluntárias procurando benefício mútuo.

O Hélio corta meu cabelo há 30 anos. Dou um tapa no visual e ele recebe pelo serviço prestado. De brinde, ainda ouço infindáveis causos dos seus tempos de infância na roça paranaense.

Quando o poder público interfere, entra o jogo político. As regras são mais complexas e obedecem a uma dinâmica própria.

As trocas deixam de ser voluntárias, já que o Estado tem o monopólio da violência. Como essa relação é desigual, somos obrigados a nos submeter ao que nos é imposto.

Pensar investimentos e recomendá-los passa, necessariamente, por interpretar o desenrolar do cenário político, especialmente no Brasil.

Isso é ainda mais verdade hoje, quando a temperatura em Brasília faz a panela de pressão apitar.

Assim sendo, fomos à procura do melhor aconselhamento do cenário político para os nossos assinantes.

Consonante com a nossa missão de trazer ideias de investimento antes restritas a profissionais ou quem pudesse arcar com serviços profissionais, buscamos na mais prestigiosa consultoria política do Brasil nosso parceiro para decifrar os meandros de Brasília para nossos leitores.

A partir de segunda-feira, Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, será nosso especialista político.

Lucas é mestre em Ciência Política pela Fordham University de Nova York, tendo palestrado sobre o cenário político brasileiro em universidades, embaixadas e empresas ao redor do mundo. É sócio da Arko Advice, a principal consultoria brasileira de análise política e estratégia, com mais de cem clientes do mundo todo, incluindo dezenas de empresas da Fortune 500.

Publicaremos toda segunda-feira, logo pela manhã, a newsletter “Carta de Brasília”, do Lucas de Aragão.

A primeira edição é já nesta segunda-feira, dia 1º de junho.

Para entender política no Brasil, somente com um profissional.

E trouxemos o melhor especialista do país.

Deixo você agora com os destaques da semana.

Boa leitura e um abraço.
Caio

P.S.: Não perca a série A Retomada, do nosso especialista em ações Max Bohm. Fundamental para entender o momento atual da Bolsa e as oportunidades apresentadas. 

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