Superando Jesus

Toda geração tem seus modismos e disparates, que considera Verdades Absolutas. Diversidade, mudanças climáticas e uma meta de inflação de 2% estão no topo da lista hoje em dia. Os primeiros a adotar essas ideias se consideram “progressistas”. Eles escolhem palavras de ordem na faculdade — interseccionalidade, carbono neutro, dinâmica estocástica — e usam por aí como se fosse trivial. Veem a si mesmos como os inovadores pioneiros e liberais que fazem a sociedade avançar.

Hoje, eu, Caio Mesquita, vou ceder este espaço para o meu sócio Bill Bonner, fundador da Agora Inc. e presidente da Bonner & Partners. Espero que você goste. Boa leitura!

SUPERANDO JESUS

O rico domina o pobre, e quem toma emprestado é servo de quem empresta.” – Provérbios, 22:7

Baltimore, Maryland

Toda geração tem seus modismos e disparates, que considera Verdades Absolutas.

Diversidade, mudanças climáticas e uma meta de inflação de 2% estão no topo da lista hoje em dia.

Os primeiros a adotar essas ideias se consideram “progressistas”. Eles escolhem palavras de ordem na faculdade — interseccionalidade, carbono neutro, dinâmica estocástica — e usam por aí como se fosse trivial. Veem a si mesmos como os inovadores pioneiros e liberais que fazem a sociedade avançar.

E então a geração seguinte ri deles.

Verdades Ocultas

A revista Time acaba de escolher Greta Thunberg como a Personalidade do Ano. Thunberg acha que sabe qual deveria ser a temperatura da Terra. É sério. Ela acha que o planeta está quente demais. Propõe que gastemos trilhões de dólares para impedir que ele se aqueça.

Assim como Joana D’Arc, talvez ela receba mensagens do arcanjo Miguel... Talvez ela tenha acesso a uma verdade até agora oculta dos outros mortais. E sua cruzada é ambiciosa; ela não está apenas libertando Orléans dos ingleses, mas salvando o planeta.

Quando éramos jovens, podíamos patinar no gelo no West River, a oeste de Chesapeake. Hoje, raramente o rio congela. Mas isso é ruim? Agora, usamos menos combustível para nos aquecer.

Além do que, tudo tem um lado bom. Enquanto quem vive na Flórida, pouco acima do nível do mar, já sua muito no verão... nas planícies altas das Dakotas, será que as pessoas não gostariam de ter uns dias a mais na estação de cultivo?

Sobre qual deveria ser o clima da Terra, não temos uma opinião... Deixe que outros, que acreditam saber a resposta, tenham sua foto estampada na capa da Time.

Mais Diversidade!

Nessa mesma linha, recentemente, em uma reunião do conselho de uma instituição sem fins lucrativos, em Baltimore, um monte de adultos ouviu um sermão sobre a importância da “diversidade”. Apoiando-se fortemente na “interseccionalidade” da discriminação, a equipe — todas mulheres — propôs aumentar a diversidade... contratando mais mulheres!

O Museu de Arte de Baltimore, por sua vez, anunciou que, no ano que vem, não comprará obras produzidas por homens; a instituição quer compensar o domínio masculino do mundo artístico desde os tempos de Eva.

E, se uma tela antiga, agora incomprável, de Botticelli ou Manet parece retratar mulheres em papéis decorativos, o museu sente a necessidade de alertar os visitantes de que a “estrutura patriarcal” da sociedade da época forçava as mulheres a ocupar posições de subserviência e submissão. Não querem que ninguém tire as próprias conclusões!

Mas o patriarcado é uma coisa ruim? Não há como saber. A “diversidade” é boa? De novo, quem sabe? O gênero do artista faz alguma diferença? Hein?

Maravilha Econômica

É melhor não fazer essas perguntas — especialmente se você quiser trabalhar no meio acadêmico ou no meio artístico. Elas são praticamente proibidas. Assim como qualquer debate de pontos de vista contrários. Um professor universitário de Nebraska chegou a ser atacado por um “grupo de combate à discriminação” por colar um adesivo de Trump na janela de seu escritório.

O mundo financeiro, também, tem seus disparates. Banqueiros centrais e economistas acreditam saber qual deve ser a taxa da inflação ao consumidor: 2%. Por que 2%? Não há evidências de que 2% seja melhor do que 3% ou de que 3% seja pior do que zero.

Eles também acreditam saber qual deve ser o patamar dos juros. Como eles sabem essas coisas? Não vale a pena perguntar. As respostas são uma baboseira.

Mas vamos em frente e contemplemos uma outra maravilha: os juros negativos. Neste Admirável Mundo Novo, muitos economistas acreditam que não só eles “fazem sentido” como são necessários por conta da situação.

Quando os poupadores tiverem que pagar pelo privilégio, argumentam, eles deixarão de entesourar dinheiro e começarão a gastá-lo. Então, a economia crescerá mais rápido, as pessoas terão emprego, as rendas aumentarão, os lucros subirão, e ficaremos todos mais ricos.

Ficamos de queixo caído e sem ar... Imagine as gerações de idiotas que vieram antes de nós, todos poupando diligentemente cada centavo.

Ah, se eles soubessem! Estremecemos em pensar no quão mais ricos teriam sido se tivessem gastado todo seu dinheiro em vez de guardá-lo.

E as taxas de juros negativas têm mais uma grande vantagem: elas transformam dívidas em ativo. Porque o custo de carrego a converte em uma fonte de renda!

Superando Jesus

Sim, Jesus pode ter transformado água em vinho, mas os bancos centrais o superaram. Eles transformam negativo em positivo, dívida em receita, uma coisa ruim em uma coisa boa. É praticamente, bem, inacreditável.

“Quem toma emprestado é servo de quem empresta”, diz a Bíblia. Mas, agora, com esses novos milagres das finanças modernas, é o credor que deve preparar o chá do tomador e limpar seu penico.

Taxas de juros negativas? Pode mandar! Dívidas nas alturas? Sem problema! Crise de endividamento? Deixa pra lá!

Quando as futuras gerações estiverem buscando algo do que rir, acho que não vão precisar procurar muito.

Mas isso é assunto para outra hora...

Saudações,
Bill

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