A proxy do estresse

Chamamos de "proxy" uma variável observável capaz, em tese, de representar uma variável não observável.

Chamamos de "proxy" uma variável observável capaz, em tese, de representar uma variável não observável.

Por exemplo: 

"Estou no carnaval de rua; não a conheço, não consigo saber se ela realmente está a fim, mas percebi que ela olhou para mim enquanto eu comprava mais uma corote".

Como você pode imaginar, ilações feitas em cima de proxies são perigosíssimas. Frequentemente, pautam-se em causalidades vazias e correlações espúrias.

"IRB é muito bem tocado, pois a ação se valorizou +48% em doze meses".

Podemos sempre entrar no instigante debate sobre se ações funcionam bem como proxies de sucesso corporativo (dica: concentre-se no longo prazo).

Mas como é domingo, escolhi mergulhar em outro foco hoje, naquilo que os psicólogos reconhecem como a "proxy do estresse".

Dentre os maiores desafios da gestão corporativa está a régua de produtividade.

Como podemos medir produtividade?

No limite, não podemos. Trata-se de uma variável não observável diretamente.

Essa lacuna epistemológica acaba gerando uma das maiores pandemias trabalhistas da era moderna, causada pela proxy do estresse profissional.

Quando uma pessoa insegura não sabe quão produtiva ela é, ou tem medo que seu chefe não saiba, ela começa a usar o estresse e o sacrifício como sinalizadores de produtividade.

Por exemplo:

"Trabalho 12 horas por dia e estou respondendo a emails corporativos às 23h do sábado… logo, tudo indica que sou uma pessoa extremamente eficaz e mil por cento dedicada à melhor empresa do universo!".

Pior: quando uma pessoa age dessa forma, as demais pessoas copiadas no email se sentem obrigadas a adotar também a proxy do estresse, sob o custo de ficarem para trás na régua (torta) de produtividade.

Em pouco tempo, devido a inseguranças próprias e à pressão dos pares, desenvolvemos um ambiente em que todos estão extremamente estressados e… extremamente improdutivos.

Se você está lendo esse email no domingo, por favor, para o seu próprio bem, não responda.

Vá tomar um banho relaxante, tomar um vinho, assista Netflix.

Como premissa do nosso relacionamento, confio plenamente na sua produtividade enquanto leitor.

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