Carta a um viciado em juros positivos

Perspectiva de Selic em 3,75% para fim de 2020, Focus aponta IPCA de 3,73% no mesmo período.

Até o Brasil entra na onda dos juros reais negativos.

Mas será que é mesmo uma onda? Ou tem mais cara de oceano?

Uns pregam que é uma bolha para estourar e nos levar de volta à velha normal de juros positivos. Bancos Centrais impuseram o contexto de maneira artificial, natureza dos mercados acabará prevalecendo, e será o triste fim da farra de liquidez.

Outros arriscam que this time is different, indeed. Acontece, enfim, a japanificação do mundo globalizado, e os juros continuarão em zero ou abaixo de zero para sempre, armadilha de liquidez keynesiana.

Podemos brincar de apostar numa turma ou noutra, mas pra mim isso é só brincadeira mesmo. No que compete aos nossos investimentos, o principal já ocorreu, está dado.

Chamo isso que ocorreu de Zahir, como o Borges gostava de chamar.

Algo que uma vez tocado ou visto jamais será esquecido.

O Zahir domina nosso pensamento sob a forma de loucura ou lucidez.

Uma vez que os juros negativos foram vistos e tocados, jamais serão esquecidos. Isso é o que importa agora, e para sempre.

Mas e aí, loucura ou liquidez?

Loucos ficarão todos aqueles viciados no rentismo tupiniquim que rendia 14% ao ano, aparentemente sem risco.

Lúcidos (e ricos) ficarão os investidores atentos ao impacto brutal que os juros negativos provocarão sobre nossos ativos reais - particularmente, empresas, imóveis, metais preciosos...

Os jornais já dizem que o Zahir afeta tanto os pequenos quanto os grandes, mas erram ao falar sobre "planejamento".

Acho ótimo se planejar para eventos que ocorrerão daqui a nove meses, três anos ou meia década, mas o fenômeno de juros negativos está acontecendo AGORA.

O tempo é de começar a se mexer, e não de planejar. Ficar parado custa caro se a sua Poupança ou seu Fundo DI passam a perder da inflação.

De todo modo, aquilo que de um lado é ameaça de outro é oportunidade. Ao mesmo tempo em que o rentismo está morrendo, nasce uma enorme frente de lucros esperados com a renda variável.

Queda de juros bomba retorno de pequenos e grandes investidores.

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