Digo apenas que aprendemos no escuro

A cada grande crise, aprendemos algo novo, ou algo de novo.

A cada grande crise, aprendemos algo novo, ou algo de novo.

Não sou daqueles que tentam identificar coisas positivas a partir de um contexto de merda.

Estou apenas dizendo que aprendemos, e que o aprendizado não é, necessariamente, algo prazeroso.

Por exemplo: como aconteceu de o preço do petróleo para entrega imediata se tornar negativo?

Ainda que enamorado das tantas virtualidades modernas, o barril de petróleo continua sendo um ente físico. No limite do vencimento, precisa ser transportado e armazenado. Área e volume são restrições materiais.

Eu pagaria facilmente para você me livrar de vários problemas de armazenamento.

Pagamos para usar banheiros sujos de quiosques de praia.

Não existe loucura nisso.

A loucura emerge quando erramos feio em nossos cálculos das curvas de oferta e demanda futuras.

Não é culpa das curvas, obviamente. A culpa é nossa, de nossas réguas excessivamente retas e transparentes, réguas desetec.

Há, sobretudo na civilização ocidental, uma obsessão por medir, mensurar.

Se você é incapaz de medir, o diabo da insegurança lhe persegue.

Cada um que saiba lidar com seus próprios diabos, no inferno dos investimentos ou em outros infernos. Não posso ter filhos deste tamanho.

Mas preciso dizer uma coisa, ainda hoje.

Fica a impressão, das fábulas, que o diabo é aquele que vem tentar nos seduzir, nos persuadir ao mal; devemos ser fortes para resistir.

Veja, não é bem o caso.

Há inúmeras pessoas no mundo prontamente dispostas a venderem suas almas ao diabo.

O problema é que não há demônios o bastante para comprar todas essas almas.

Por consequência, elas são negociadas a preços negativos.

As almas ruins valem menos do que zero.

Se nós, como sociedade, valemos zero (uma hipótese modesta), é porque as almas boas valem muito; algumas poucas valem infinito, sobretudo em tempos bélicos.

Em 18 de janeiro de 1915, Virginia Woolf abriu seu diário particular para escrever sobre a Primeira Grande Guerra.

Escreveu que “o futuro é escuro, o que acredito que seja o melhor que o futuro pode ser”.

Investir no escuro não é um ato desesperançoso.

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