Eles curtem velocidade, eu curto o efeito catraca

Você já deve ter recebido no Whatsapp uma dessas fotos de Trancoso… ops, um desses gráficos mostrando quanto tempo foi necessário para variadas tecnologias atingirem 50 milhões de pessoas.

Você já deve ter recebido no Whatsapp uma dessas fotos de Trancoso… ops, um desses gráficos mostrando quanto tempo foi necessário para variadas tecnologias atingirem 50 milhões de pessoas.

O telefone demorou 75 anos. O rádio levou 38 anos. A televisão precisou de 13 anos. A internet conseguiu em apenas 4 anos.

Daí em diante, mergulhamos no mundo online. Facebook alcançou 50 milhões de usuários em 2 anos, YouTube em dez meses, Twitter em nove meses, Pokémon Go em 19 dias.

Mediante esse ritmo loucamente exponencial, parece que a principal característica definidora da tecnologia está na velocidade. Décadas, anos, meses, dias, horas, minutos, segundos.

Sim, é óbvio que a velocidade chama atenção. Mas ela acaba ofuscando outra faceta bem mais importante dos grandes adventos tecnológicos: o efeito catraca.

Uma vez adotada uma nova tecnologia em massa, dificilmente voltamos para trás. Catracas só giram para um lado. 

Em muitas instâncias, o progresso é uma via de mão única. Ele gera confortos e produtividades que prontamente assimilamos como "não dá mais para viver sem isso".

Exemplo. Não sei ainda sobre carros elétricos, sou um mero entusiasta teórico. Porém, todos os meus poucos conhecidos que migraram para os elétricos afirmam categoricamente que NUNCA MAIS terão motores a combustão. "Estou só esperando aumentarem os pontos de carregamento para trocar também o da minha esposa".

A velocidade é sempre contagiante, ativa nossa adrenalina, mas não garante uma quebra de paradigma. O que sustenta a quebra de paradigma é o efeito catraca. Se uma coisa  frequentemente vai para frente e quase nunca vai para trás, ela acaba dominando os hábitos sociais e econômicos.

Decidi tocar nesse ponto pois estou vendo muita gente exaltada com o rápido crescimento do número de pessoas físicas na B3.

Não me entenda errado. Eu e a Empiricus soltamos rojão para cada novo investidor cadastrado, lutamos todos essa mesma luta. Quanto mais rápido, melhor.

Assim como fez a B3 em sua nova política de tarifação, gostamos de jogar nossos preços para um mínimo possível, em nome de uma maior democratização dos investimentos.

Porém, não é a velocidade recente do acréscimo que me anima mais. Estou de fato empolgado com o efeito catraca desse movimento.

Depois que o sujeito passa a dirigir um carro elétrico, não tem mais como voltar para a caderneta de poupança.

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