Um outro lado de Buffett, mais útil

Você já pensou em investir como Warren Buffett?

Você já pensou em investir como Warren Buffett?

Eu já, quando tinha 12 anos.

Agora que sou adulto, penso mais em investir como Rodolfo Amstalden.

Nunca serei um sábio de Omaha. Isso está claro para mim.

Sou fã do bom velhinho, mas não sou fã da maioria dos seus fãs.

Uma legião de investidores - órfãos de fórmulas de investimento - supõe que é perfeitamente possível pegar as ideias de Buffett (muitas delas, dependentes de contexto histórico) e aplicá-las por toda parte.

O value investing está morto, e fomos nós quem o matamos.

Enquanto muita gente perde tempo bitolada no value investing, outra faceta bem mais relevante de Buffett passa despercebida: sua obsessão por confiança.

A confiança é a essência de um modelo de negócios.

Essa ideia simples - praticada à risca pela Berkshire - tem profundas consequências sobre todos os aspectos da vivência corporativa.

Privilegiar a autonomia e a descentralização, trocando o pacote tradicional de duros controles internos por uma rede de integridade mútua. 

Estive pensando nisso desde quarta-feira, quando um outro empresário me perguntou como eu estava controlando meus funcionários durante esse período de home office.

Respondi educadamente (mentira, não sou tão educado) que, primeiro, eu não tenho funcionários. E, segundo, não possuo qualquer intenção de controlar ninguém.

As pessoas que trabalham na Empiricus são, em sua essência, self driven. O autocontrole é o grande requisito para se deleitar com o livre arbítrio que a vida nos oferece.

Como sou de pouquíssimos amigos, sempre busquei me relacionar apenas com pessoas (e com investimentos) em quem eu confiasse muito.

Em geral, evito banqueiros e corretores, evito instituições financeiras. Busco levar ao limite a ideia de cuidar do meu dinheiro por conta própria.

A Berkshire também evita se relacionar com bankers, brokers e advisors de M&A. Desde muito cedo, Buffett preocupou-se em desenvolver fontes próprias de financiamento (o floating das seguradoras) para não precisar depender de Wall Street.

Em linha com essa forma de pensar e agir está a própria fundação da Empiricus. 

Somos um negócio 100% lastreado em confiança.

Se você lê, ouve e assiste nossas análises, é porque confia em nós. Se nós temos um negócio começado do zero e diferente de tudo, é porque sempre confiamos em cada um dos nossos assinantes.

Isso tem menos a ver com enormes ganhos de capital quando o mercado vai bem.

E tem bastante a ver com nos mantermos próximos num mercado ruim, propagando ideias de investimento que preservem nossa sanidade.

Empresas que possuem seus funcionários e que controlam seus stakeholders têm dificuldade de falar a real. Elas querem pintar um cenário de que tudo vai ficar perfeito amanhã.

As coisas vão melhorar sim, mas não amanhã.

Antes de melhorarem, podem piorar muito.

Antes de enriquecer uma vez mais, você precisa se proteger.

Mensagens difíceis são compartilhadas apenas entre pessoas unidas por um profundo vínculo de confiança.

Um abraço,
Rodolfo Amstalden

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